Com hit em “Rainha da Sucata”, Magal conta que TVs censuravam seu rebolado

Sidney Magal com fã: "Homens me chamavam de viado porque as mulheres eram loucas por mim"

Desde que a novela “Rainha da Sucata” reestreou no último dia 24, no canal a cabo “Viva”, uma onomatopeia se tornou um dos assuntos mais comentados no Twitter. Inspirados no sucesso “Me Chama que Eu Vou”, de Sidney Magal, os internautas passaram a usar a hashtag #eoeo toda vez que é exibida a abertura da novela, estrelada por Regina Duarte, Glória Menezes e Tony Ramos.

O cantor e ator de musicais, que inclusive gravou uma chamada da reprise satirizando o verso “Eô-Eô”, conversou com a reportagem do UOL sobre a música e sobre o sucesso de seus shows mesmo após 35 anos de carreira. Conhecido nos anos 1980 por seu rebolado sensual, contou que, devido à censura, algumas emissoras de TV o focalizavam apenas da cintura para cima. “Eles achavam meus gestos imorais.” Leia a entrevista:

UOL – Primeiramente você era conhecido como Sidney Magal. Depois os seus discos vinham apenas como Magal. Afinal, como devemos te chamar?

Sidney Magal – É Sidney Magal. Sempre foi esse meu nome. Acontece que teve uma época que a gravadora achou melhor colocar apenas Magal, que era como o público se referia a mim. Como não é um sobrenome muito comum, fica mais fácil de dizer. Além disso, é um modo de demonstrar certa intimidade comigo. Então pode me chamar de Magal também. Mas meu nome artístico mesmo continua Sidney Magal.

É verdade que vai ter um documentário sobre a sua vida?

Não é bem assim. Na verdade quando eu fiz o filme “Caminho das Nuvens”, o diretor Vicente Amorim me acompanhou em um  baile de serestas. Esses bailes são frequentados por um público mais velho, que me aplaudiu de pé. Outro dia fui a uma universidade, e aconteceu a mesma coisa. Ele ficou impressionado com meu sucesso após 35 anos de carreira e falou que tinha interesse em fazer um documentário sobre a minha vida. Eu achei a ideia legal, porque dá para ter cenas musicais alternadas com depoimentos, mas por enquanto eu só disse que estou aberto a isso, mas nem sei se minha vida é tão interessante assim..

E se fosse uma cinebiografia, como “Dois Filhos de Francisco”? Quem seria o ator que poderia interpretá-lo?

Em primeiro lugar precisa ser um bom ator. Segundo: precisa curtir o meu trabalho. Gostar da minha música. O Tiago Abravanel, que fez maravilhosamente bem o Tim Maia, uma vez me disse que adoraria fazer o meu papel no cinema. Eu até tirei um sarro: “Eu tô meio gordinho, mas você está mais, hein?” Agora, analisando bem friamente, eu penso muito que quem poderia me interpretar é o Vladimir Brichta. Quando eu o vejo no “Tapas e Beijos”, com aquelas camisas coloridas, acho que ficaria bem legal.

E como foi que você começou a sua carreira?

Eu sou de uma família de artistas. Então eu canto desde criança. O Vinicius de Moraes era primo de segundo grau da minha mãe. Ele era vizinho de duas tias minhas que incentivaram bastante a minha carreira. Eu ia ao apartamento delas, dos 11 aos 14 anos, e elas me acompanhavam cantando ao piano. Um dia o Vinicius passou, me viu cantando e disse: “O garoto é bom, hein?” Então eu pedi a ele que escrevesse uma música para mim. Ele disse: “Sidney, eu teria o maior prazer em compor algo para você cantar. Mas não vou fazer isso porque acho que seu futuro, até pelo seu porte e pela sua beleza, é como cantor popular. Não te vejo em um banquinho cantando Bossa Nova…”

Nos anos 1980 você e o Ney Matogrosso tinham um estilo de cantar, não apenas com a voz, mas também com o corpo, que era considerado tabu. Você sofreu censura?

Eu não cheguei a ter problema com a censura. Mas alguns programas de TV me focalizavam apenas da cintura para cima. Eles consideravam meu jeito de dançar meio imoral. E o fato de rebolar, assim como o Ney, hoje eu vejo que era uma afronta. Na época, eu achava natural, mas não era. Tanto que demorei a ter público masculino. Eles só passaram a gostar de mim depois da música “Amante Latino”, que falava “eu gosto das mulheres da noite e do vinho”. Aí eles passaram a se identificar. Antes eles tinham muito ciúme. As mulheres me adoravam. E iam aos shows com os namorados e noivos. Cansei de ver casais saindo no tapa no meio do show, gente arrancando aliança e jogando no chão. Por isso os homens me chamavam de viado. Eles falavam: “Rebolando desse jeito? Só pode ser viado!”

Eu não cheguei a ter problema com a censura. Mas alguns programas de TV me focalizavam apenas da cintura para cima. Eles consideravam meu jeito de dançar meio imoral. E o fato de rebolar, assim como o Ney, hoje eu vejo que era uma afronta. Na época, eu achava natural, mas não era

Sidney Magal, sobre rebolado

Então, mesmo sendo hetero, você sofreu homofobia?

Na verdade, não era homofobia. O preconceito que eu mais sofri foi o social. De que minha música era brega, coisa de empregada doméstica, pedreiro etc. Esse preconceito hoje não existe mais…

A que você atribuiu esse sucesso que você tem ainda hoje em várias faixas etárias?

Aquelas crianças que me imitavam cresceram. E conservam uma certa nostalgia por aquele tempo. Hoje vou fazer shows em empresas, aí o executivo, o empresário por volta de seus 40 anos me chama em um canto e fala: “Magal, eu tenho uma coisa pra te confessar. Eu te imitava nas festinhas quando era criança.”

E o sucesso de “Rainha da Sucata”? Você tem visto a novela? Como foi gravar aquela vinheta para o “Viva”?

Aquela música [“Me Chama que Eu Vou”] ficou a cara da novela, né? E marcou aquela época por causa da lambada. Eles me ligaram e falaram que tinha tido uma ideia para a vinheta da novela. Nem perguntei o que era. Passei o dia todo lá gravando e foi divertidíssimo. Mas não estou vendo a novela não. Não tenho paciência, ainda mais pra novela repetida. “Da Cor do Pecado”, por exemplo, que também está em reprise pela segunda vez, não vejo não. Não me amo tanto assim! (risos)

Você acha que devido à reprise essa música será mais pedida nos shows?

Eu nunca deixei de cantar “Me Chama que Vou”. Em geral, abro ou fecho meu show com ela.

E quais são as suas músicas mais populares?

“O Meu Sangue Ferve por Você”, “Me Chama que Eu Vou”, “Sandra Rosa Madalena”. Em geral nem consigo cantar essas músicas inteiras. Uma vez fui ver um show da Ivete [Sangalo] no interior de São Paulo e ela me convidou a subir no trio. Eu só cantei a frase “quero vê-la sorrir, quero vê-la cantar”. O resto foi o público que cantou, inteirinho, até o final. A Ivete virou pra mim e disse: “Bicho, se ao fim da minha carreira eu tiver apenas uma música assim, que o público cante sozinho, vou ficar satisfeita!”

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Júri promete “emoção” e “muito movimento” no Festival de Berlim

O júri do Festival de Berlim –liderado pelo diretor chinês Wong Kar Wai e com o ator americano Tim Robbins entre seus membros– se comprometeu nesta quinta-feira (7), na abertura do festival, a exercer seu papel com “emoção” e “amor ao movimento”.

“Seremos um júri atento ao movimento. Entendendo isso não só por movimentos de câmera, mas também como os rumos que deve tomar o cinema, como espelho do mundo”, disse Wong, na apresentação de sua equipe e antes dos desfiles dos concorrentes ao Urso.

“Estamos a serviço do cinema, não o julgamos. Assumimos como uma tarefa emocional, acima de tudo”, acrescentou o diretor, que teve um papel duplo na inauguração do festival, como presidente do júri e como diretor do filme que abre a seção oficial, “The Grandmaster”.

Estamos a serviço do cinema, não o julgamos. Assumimos como uma tarefa emocional, acima de tudo.

Wong Kar Wai, presidente do júri

Seu filme é exibido fora da mostra competitiva e é ambientado na China de 1936, ano da invasão japonesa.

 Da esq. para a dir., membros do juri do festival, o ator Tim Robbins, o diretor alemão Andreas Dresen, a diretora iraniana Shirin Neshat e, o presidente do juri, o diretor chinês Wong Kar WaiSua trama vai do amor à traição, com muito kung fu e é interpretada por dois astros do cinema asiático, Tony Leung – protagonista de “Amor à Flor da Pele”, também de Wong – e Zhang Ziyi – de “O Tigre e o Dragão” e “Memórias de uma Gueixa”-.

Além de Wong e Robbins, fazem parte do júri o diretor alemão Andreas Dresen e da cineasta iraniana Shirin Neshat, expoente da geração de diretores de seu país que lutam contra as restrições de Teerã para exercer a profissão.

Wong retornou assim ao Festival de Berlim onde em 1988 apresentou seu estreia, “As Tears Go By”, então no Fórum do Cinema Jovem do Festival de Berlim, enquanto em 1996 retornou com “Fallen Angels”.

O diretor chinês – com 54 anos e ganhador do prêmio de melhor diretor em Cannes em 1997 com “Felizes Juntos”, de um César em 2001 com “Amor à Flor da Pele” e do prêmio da Academia do Cinema Europeu em 2004 por seu filme “2046 – Os Segredos do Amor” – foi recebido em Berlim como um herói que retorna ao festival que viu seu nascimento na sétima arte.

 

Tite evita antecipar escalação e terá de decidir entre Pato, Emerson e Guerrero pela 1ª vez

 

Ao contGuerrero e Emerson, que formaram a dupla de ataque no Mundial, terão a concorrência de Patorário do que costuma fazer, Tite evitou antecipar a escalação do Corinthians para o próximo sábado, quando o time enfrenta o São Caetano, no Pacaembu. Questionado sobre a sequência de Alexandre Pato, ele disse que a decisão passará pelos preparadores e médicos do clube, mas poderá ter pela frente o primeiro grande dilema para escalar a equipe.

“Vocês ficam centralizando muito em cima do Pato, mas é uma equipe. Vai ser com ele ou com o Guerrero, não sei se ele vai estar, se o Paulinho volta. Vocês estão entendendo que é um processo, vamos ver. Tudo depende do departamento físico”, disse Tite.

Guerrero não jogou na última quarta por estar a serviço da seleção peruana, e por isso Pato ganhou sua primeira chance como titular. No fim de semana, se ambos estiverem à disposição, assim como Emerson, Tite poderá dar uma pista de qual será seu ataque titular na temporada, depois de ter adiantado que o trio não deve atuar junto com frequência.

Alvo de uma preocupação especial do departamento médico, Alexandre Pato mostrou uma evolução em sua condição física. Depois do 0 a 0 com o Botafogo, o atacante foi elogiado mais uma vez por Tite. “É um processo de evolução técnica, dele se sentir à vontade. Com movimentações e lances pessoais ele vai crescendo. Cresceu bastante em relação ao outro jogo”, disse o treinador.

Em outros setores, Tite terá menos dificuldade para compor a equipe. Se Paulinho estiver liberado, deve retomar a posição de Guilherme sem sustos, apesar dos elogios que o jovem volante recebeu do chefe. “Ele foi bem hoje. Se tivesse um pouquinho mais de entrosamento… Troca passes, tira a marcação adversária e dá a possibilidade de alguém infiltrar. O que não posso cobrar é que ele já renda igual ao Paulinho, mas ele foi bem”, disse o comandante alvinegro.

Alessandro, Paulo André e Danilo, que ficaram fora por questões físicas, dependem da avaliação dos médicos. Caso sejam liberados, também devem recuperar as vagas que na última quarta foram de Edenilson, Felipe e Douglas, respectivamente.